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Qual a relação entre Procrastinação e Ansiedade?

  • 17 de set. de 2017
  • 3 min de leitura

A Procrastinação é um problema cada vez mais frequente entre estudantes, especialmente os universitários. A Procrastinação pode ser entendida como o comportamento de evitar, retardar ou interromper atividades e tarefas importantes. No caso da Procrastinação Acadêmica, os estudos, tarefas, relatórios e avaliações.


Muitas vezes confundida ou interpretada como preguiça ou desinteresse, ela pode ser o resultado final de uma série de problemas, dentre os mais frequentes a dificuldade com a realização de atividades rotineiras, comum em portadores do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a Ansiedade Acadêmica.


Mas como a Ansiedade leva à procrastinação? Ela não deveria nos levar a executar mais rapidamente nossas tarefas? Além do mais, os procrastinadores não são pessoas mais “relax”, despreocupadas?



De fato, nem sempre. Muitas vezes, a procrastinação é uma maneira momentânea de evitar a Ansiedade, mas com sérias consequências. Vamos entender um pouco como isso acontece:


Primeiro, o estudante tem contato com o conteúdo da disciplina, o qual pode ser avaliado como difícil, ou tem contato com informações (normalmente oferecidas prontamente pelos veteranos) sobre a disciplina, como o nível de exigência do professor, o grau de dificuldade das provas, etc. Essas informações podem ser reais ou não, mas isso não importa. O fato é que a percepção de dificuldade da matéria gerada pelo contato direto ou por estas informações pode levar a uma série de Pensamentos Automáticos Distorcidos, tais como:

“- Não vou conseguir aprender esta matéria.”

“- Irei mal na prova.”

“- Não vou conseguir passar.”

“- Não vou conseguir me formar.”

“- Sou um incompetente por não aprender este conteúdo.”

Parece exagero, mas são pensamentos reais e muito frequentes. Distorcidos, mas reais. Obviamente, com estudo e esforço adequados, às vezes com uma ajuda, conseguiremos aprender os conteúdos necessários, mas estes pensamentos distorcidos geram uma sensação de risco, intimamente relacionada ao medo do fracasso e de uma avaliação ruim por parte das outras pessoas (colegas, professores, pais, familiares). Surgem então a Ansiedade, a Preocupação e o Medo, os quais, neste caso, paralisam o estudante. Quem nunca passou por isso? (quer ler mais sobre Pensamentos e Ansiedade clique aqui)


Com o aumento da Ansiedade e seus sintomas, a pessoa começa a ter Pensamentos Sabotadores:

“- Melhor deixar para estudar amanhã.”

“- Nem tem tanto conteúdo para estudar, posso começar semana que vem.”

"- A prova ainda está longe."

“- Depois peço ajuda a alguém.”


Mas, depois, surge o seguinte pensamento:

“- Ah, ninguém vai querer me ajudar, vão achar que estou de preguiça ou coisa pior.”



E, diante de tal quadro, surge a Procrastinação como a melhor saída para a Ansiedade. E de fato, naquele momento, até pode ser. O efeito imediato da procrastinação é diminuir a Ansiedade, mas, a médio e longo prazo, ela diminui nossa crença em nossa própria capacidade de aprender e obter sucesso acadêmico. Os Pensamentos Automáticos ficam mais frequentes e mais fortes, a Ansiedade fica mais forte, e a Procrastinação torna-se cada vez mais irresistível. Assim, o ciclo do fracasso mantém a procrastinação.


Mas, este ciclo pode ser quebrado. Para tanto é necessário aprender a identificar os Pensamentos Automáticos e os Sabotadores e questioná-los. Eles não são reais, ou pelo menos são distorcidos e exagerados! Uma análise pelo crivo da realidade prova isso facilmente (às vezes estamos tão acostumados a percebê-los como reais que fica mais difícil perceber sua inconsistência. Nada que o treino e a ajuda de um especialista competente não resolvam). É necessário, também, aprender a conviver com a Ansiedade, quer utilizando técnicas de relaxamento para reduzi-la, quer entendendo que ela não produz, de fato, mal algum além de seus próprios sintomas.


De qualquer modo, entender a relação entre sua Ansiedade gerada por seu medo do fracasso e a procrastinação é o primeiro passo para acabar com este problema. Diminuir a autoexigência ou a importância atribuída à opinião e à avaliação do outro, aprender estratégias mais eficientes para lidar com a Ansiedade e evitar o início da procrastinação são recursos eficientes para lidar com o problema.


 
 
 

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